05 dezembro, 2006

Educação, filosofia... e o novo pensar como fica?

Nossa tarefa, enquanto professores de filosofia, enleados como estamos entre o ensino da disciplina, as culturas dos jovens do ensino médio, os problemas micro (a sala de aula) e macro estruturais (políticas públicas), é permanentemente nos perguntarmos – como podemos caminhar, por entre a cultura da indiferença e da falta de planejamento a longo prazo, para uma educação de melhor nível? O que temos desde as DCNs (diretrizes curriculares nacionais), passando pelos PCNs (parâmetros curriculares nacionais), até as Orientações Curriculares das disciplinas é todo um perfilamento, uma moldagem de objetivos para o ensino e aprendizagem que buscam o máximo de atualização, nos aspectos de competência e habilidade, com o mundo contemporâneo do trabalho e do pensamento. Em última análise, podemos dizer que há um empenho da educação escolar em minimizar ao máximo o assincronismo entre escola e mundo. Contudo, como podemos ler em “Educação, trabalho e mercado de trabalho no Brasil” de Azuete Fogaça e Cláudio L. Salm em (http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0009-67252006000400021&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt) “a questão educacional não mobiliza a sociedade brasileira. Nossa tradição é de uso da educação escolar como fator de diferenciação entre os segmentos sociais, de legitimação das hierarquias sociais e, com isso, de manutenção das desigualdades.Ou seja, ainda somos dominados pelo credencialismo.” Três aspectos corroboram a argumentação dos autores: 1) em nossa sociedade a igualdade procura firmar-se através da desigualdade, o que, para quem leu “O mestre ignorante" de Rancière, sabe muito bem o que isso significa; 2) as relações trabalhistas (patrão e empregado), com honrosas exceções de algumas empresas que atingiram níveis excepcionais de produtividade, interação e criatividade entre diretores e operários, além da participação nos lucros, são ainda um desastre, um atraso absoluto em nosso país; e 3) o clientelismo eleitoreiro alimentado pela maioria dos nossos legisladores, que procura preservar seus privilégios em nome do serviço aos interesses da população, em que é primordial que não se revolucione setores como a educação.
Enquanto isto, muito dinheiro e tempo (pensemos em gerações) são investidos em educação pública. O fato é que desde uma simples aula de filosofia, matemática ou literatura, até o mais alto nível de pesquisa científica, o país se apequena a cada quadriênio que passa. O texto acima citado, bem como a apresentação do Sr. Lessa, coordenador do CNPQ, na abertura da 21ª Jornada Acadêmica Integrada da UFSM, comprovam que temos números altamente otimistas, gráficos que registram, no caso da escola fundamental, um crescimento extraordinário de matrículas na 1ª série do ensino médio, bem como sobre a conclusão deste, e, lá na outra ponta, a formação de doutores (9500 doutores nos últimos doze meses). Uma das perguntas do próprio coordenador do CNPQ é: onde, mercado para toda essa gente? A outra, feita também por ele, por que, se temos tantos doutores, o número de patentes requeridas é tão pequeno? Apenas 284 patentes, contra 2400 requeridas no mesmo período pela China, com o mesmo contingente de doutores formados. Sem falar dos Estados Unidos, que nesse mesmo período registrou 44 mil requerimentos. Nosso atraso em dar respostas a partir da educação, em boa medida, como dizem Folgaça e Salm, é o credencialismo, que, como ninguém, Sérgio Buarque de Holanda, no seu “Raízes do Brasil”, descreve magistralmente. Vale mais do que a pena reler esta obra seguidamente, pois que parece ser o nosso genuíno testamento, que fala com um critério excepcional sobre nossas heranças culturais. Temos ou não temos assunto para o dia 16 de janeiro no nosso “Filosofia na Escola”? Preparem suas baterias, o Happy New Year está aí e se chama 2007. Mas isso é assunto para os numerólogos.

2 comentários:

Vertov Rox. disse...

ficou boniton néam? Eu que fiz! :)

Gisele disse...

ficou bonito mas tá meio desabitadinho, né?
seria o mal dos blogssobreensinodefilosofia?
eu tô tentando reviver o meu, pintem por lá!